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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Idas e vindas


Afaste. Suma por um tempo. Sem bilhetinho na geladeira ou avisos pela casa. Desligue seu celular e não dê as coordenadas. Fique o máximo que for capaz. Deixe a saudade vir e apertar. E então volte. Aproveite ao máximo. Beije, abrace, faça festa. Nada melhor que a saudade para renovar. 
Aproveite. Cada minuto. Cada segundo. 
Nunca se sabe quando você vai ir e nunca mais voltar.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

E o tempo


Às vezes me pergunto que ser tão poderoso é esse tal de tempo. Sempre ouço por aí que ele é capaz de mudar tudo, que o tempo resolverá isso e aquilo. Tornou-se a resposta para todos os problemas. Tá indo mal na escola? Com o tempo você melhora.  Tá sofrendo? Com o tempo tudo passa. Tá arrependido? Com o tempo tudo muda. Ainda ama ele? Com o tempo você esquece. Não sabe o que fazer? O tempo dirá. Parece que quando as coisas já não têm mais jeito, explicação e nem mais o que dizer o tempo vira a saída para tudo. 
Mas pra mim o tempo só muda a ordem das coisas e a nossa forma de pensar. 


Não é ele que vai consertar o que foi feito, quem consegue fazer isso é você.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Vida de um escritor.


Expressar sentimentos em um papel, mesmo quando o sentimos, nunca foi uma coisa muito fácil. Imagine para quem escreve livros, textos, blogs. O pior de nós, escritores, é apaixonar por um personagem não-real. Estamos sempre atrás de alguém que se pareça com algo que imaginamos. Várias vezes atribuímos aos nossos personagens, características que idealizamos da pessoa perfeita, ideal. Escritores são pessoas das quais são obrigadas a falar sobre tais sentimentos mesmo não os sentindo, descrevê-los ao ponto de fazer com que os leitores se sintam completamente dentro do texto. Imaginar cada detalhe que fará diferença no desfecho. Explicar minuciosamente cada gesto, cada palavra, cada sentimento. Muitos não entendem que não é só porque escrevemos textos sobre o amor quer dizer que o sintamos. Não é só porque escrevemos uma história, uma situação ou qualquer coisa do tipo, quer dizer que aconteceu ou que queremos que aconteça. Na maioria das vezes nossos textos não são destinados para alguém, nem possuem situações reais, muito menos sentimentos reais. Através da tela, nada é o que parece ser.
Personagens são apenas personagens, em alguns textos existe uma grande barreira entre o fictício e a realidade, pelo menos nos meus.
É uma confusão de sentimentos. Por mais que haja alguma realidade em seus textos, escritores são os menos compreendidos. São contradições demais, até mesmo para explicá-los.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vontade de clichê

Poderia ter acontecido com qualquer um. Foi apenas uma questão de estar no lugar certo, no dia certo e, claro, na hora certa. Foram feitos um para o outro. Não que eu acredite em amor a primeira vista, longe disso. Apenas aconteceu. Cruzaram-se e em uma fração de segundos seus destinos foram traçados. Sabe aquelas cenas de filme em que duas pessoas distraídas trombam na rua? Foi exatamente assim. Não que eu também acredite nesses contratempos existentes nos filmes americanos que todo adolescente que se preze já ousou a assistir. Ela estava completamente distraída e ele não muito diferente. Acidentalmente se chocaram e, como nos filmes, derrubaram papeis de ambos. Trocaram olhares, e, bem, o final vocês já sabe. Quer dizer, podem não saber, mas isso não importa, se eu contar perde a graça.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sem avisar.


Eu sentia o vento alisar meu rosto. Não era um vento qualquer. Era o mesmo vento que tocava o seu rosto. O vento que tocava seu rosto depois vinha ao meu encontro para dançar. Era o seu vento, o que te conhecia plenamente, mais que qualquer um já conheceu e agora ele estava de encontro ao meu, numa dança inefável de paixão. Era tudo tão novo, mais bonito que o pôr-do-sol, brilhava mais que as estrelas já ousaram brilhar. Cada dia uma dança diferente. Não tinha hora de certa ou lugar para estar. O vento simplesmente aparecia, sem avisar.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Relógio de chances.

Meu relógio está ao inverso, no sentido anti-horário. As horas não passam, elas voltam. Os dias não terminam, eles começam. Ouço as palavras ao contrário, escrevo de trás pra frente, ando de cabeça para baixo. O norte é o sul e o sul eu não sei onde é. Eu amo quem deveria odiar e quem eu deveria amar, eu odeio. Ando meio perdida, deveria procurar a saída ou um lugar para entrar? Eu quero o que eu não quero e não quero o que eu quero. Não, não tente me entender, nem eu mesma me entendo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Utopia da liberdade.

Voar, eu queria voar. Voar alto, para longe. Deixar todos os problemas para trás, deixá-los no chão. Esquecer tudo. Tudo e todos. Por um instante apenas. E assim ficar leve a ponto de voar. Ir além do mais alto prédio, da mais alta montanha, na busca de sei-lá-o-que. Talvez a procura de mim mesma. Ou então na procura de nada. Ir além do que um ser humano atreveu chegar. Ver todas as maravilhas desconhecidas. Atravessar as nuvens, sentir o gosto de algodão doce que tanto falam. Desrespeitar a lei da gravidade. Ser livre como um pássaro. Desconectar-me dos pensamentos. Ir aos lugares impossíveis e inimagináveis. Espairecer. Voar como um balão quando solto, até que não seja mais visto pelos humanos. Pensar. E assim, aterrissar, é preciso viver, arcar com as consequências da vida. Viver de uma maneira diferente de que vivia antes de voar, viver mais intensamente, aproveitar cada segundo, aproveitar cada voo antes que seja tarde demais. 

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Everything I ask for

Entre pizzas e bebidas algumas tragadas, esperar, eu não sirvo para isso. Cinco caixas de pizza, vazias, estão aqui há dias. Xícaras de café, umas vazias outras com café que esquentaram com tamanho nervosismo. Não tem como evitar, se tornou um vício. Não saio e não estudo, minha vida social acabou, a não ser que amigos na internet pode se considerar vida social. Relações virtuais. “Sem nomes, sem idade, sem sexo e sem passado. É como se cada palavra fosse um gole, um trago, um toque.” Não sei como fui aceitar isso. Cada palavra uma nova experiência. Uma descoberta. Uma emoção. Agonia, choros, ansiedade, nervosismo.  Não é certo, eu sei. Como posso sofrer por algo que não passa de uma tela com frases bonitas e convincentes? Não passa de uma tela. É uma tela. Quem está do outro lado? Você realmente existe? É tudo o que parece ser? Qual é seu sexo? Poderia pelo menos me dizer seu nome? Qual seria sua idade? Você não existe. É só mais outra coisa em minha mente. Você é tudo o que eu queria. Mas não existe. 
Nunca existiu. Nem existirá. Não para mim. Quem é você? 

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Come and go

Andando, rua vazia, encontrei um local no qual havia um grande tumulto, havia até uma fila para ver o porque de tanto alvoroço. Logo pensei que poderia ser alguma briga ou qualquer coisa do tipo. Tentei de todas as formas espiar o que era, mas qualquer esforço fora em vão. Decidi entrar na fila, afinal, eu não tinha nada mesmo para fazer. Como eu não estava muito bem aproveitei o tempo de espera para pensar um pouco. Perdida em meus pensamentos, mal vi o tempo passar e muito menos que a fila já diminuíra significativamente.  Logo, eu era a única da fila. Vi em minha frente um garoto, olhos azuis e um pouco cansados, cabelo bagunçado, bem bonito por sinal, segurando uma placa de “free hugs”.
-Quero um amigo – pedi.
-Eu só distribuo abraços...
Fiquei um pouco desapontada, mas afinal, ele estava lá só para isso mesmo.
-Desculpa – falei.
Ele percebeu que eu não estava muito bem, se aproximou e me deu um abraço bem apertado, bem demorado, um dos melhores abraços que eu já recebi.
-Esse foi o primeiro abraço sincero que eu recebi hoje – comentou fazendo pausas.
-Pois é, esse foi o meu primeiro abraço de hoje.
Começou uma grande amizade.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Pour some sugar on me

Mais uma vez, parada, em frente ao espelho tentando entender o porque não consigo mais enxergar o que era de costume. Onde está aquela ingenuidade? Aquela felicidade espontânea? Aquele suspiro digno de quem ama? Não consigo entender como tudo sumiu. Como posso? Essa não sou eu! O que fazia antes depois de horas pensando é feito por impulso. O que era demonstrado com tanta facilidade não é mais possível ser visto. A felicidade espontânea foi transformada em momentos de altos e baixos, uma típica montanha russa.
- Pode até soar clichê. - pensei comigo mesma - Mas minha vida anda com mais altos e baixos que a própria montanha russa.
Novamente horas, parada, em frente ao espelho, tentando entender o mesmo que tentava há dois dias, mas com uma forma diferente de enxergar as coisas.
- E se eu sempre fui assim? E se toda aquela felicidade espontânea, àquelas horas pensando se devo ou não fazer e a facilidade de demonstrar sentimentos fossem somente uma máscara? - pensei alto.
Um ano depois, lá estava, em frente ao mesmo espelho, pensando mais uma vez, enxergando o que não enxergava antes, olhando de uma forma diferente das outras. Agora  os fatos pareciam mais fáceis de se juntarem, as perguntas já tinham respostas.
- Eu cresci, de fato, a ingenuidade não existe mais, isso se perde com o tempo, todos a perdem. A felicidade continua a mesma, mas, o motivo da felicidade mudou. Suspiro digno de quem ama? Sinceramente. Eu? Amando? Agora? - solto uma risada longa - Isso é impossível, como muitos dizem, sou fria. Eu continuo demonstrando meus sentimentos, mas de formas diferentes e quase imperceptíveis, demonstro em qualquer pequeno gesto, no qual, muitos não percebem. Altos e baixos, todo mundo tem, - disse para mim mesma.
Fui em direção a minha cama e me deitei nela.
- Momentos, apenas momentos. - gritei - Momentos, apenas momentos - repeti, de forma que encheu todo o vazio do quarto escuro e frio.