quarta-feira, 21 de abril de 2010

Come and go

Andando, rua vazia, encontrei um local no qual havia um grande tumulto, havia até uma fila para ver o porque de tanto alvoroço. Logo pensei que poderia ser alguma briga ou qualquer coisa do tipo. Tentei de todas as formas espiar o que era, mas qualquer esforço fora em vão. Decidi entrar na fila, afinal, eu não tinha nada mesmo para fazer. Como eu não estava muito bem aproveitei o tempo de espera para pensar um pouco. Perdida em meus pensamentos, mal vi o tempo passar e muito menos que a fila já diminuíra significativamente.  Logo, eu era a única da fila. Vi em minha frente um garoto, olhos azuis e um pouco cansados, cabelo bagunçado, bem bonito por sinal, segurando uma placa de “free hugs”.
-Quero um amigo – pedi.
-Eu só distribuo abraços...
Fiquei um pouco desapontada, mas afinal, ele estava lá só para isso mesmo.
-Desculpa – falei.
Ele percebeu que eu não estava muito bem, se aproximou e me deu um abraço bem apertado, bem demorado, um dos melhores abraços que eu já recebi.
-Esse foi o primeiro abraço sincero que eu recebi hoje – comentou fazendo pausas.
-Pois é, esse foi o meu primeiro abraço de hoje.
Começou uma grande amizade.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Welcome to mystery (...)


Com você, um simples piscar de olhos ou o estalar dos dedos pode significar muito e pouco ao mesmo tempo. Sempre achei que você seria apenas “mais um conhecido” daqueles que em três dias nem o rosto é lembrado e quem dirá o nome. Gostaria eu saber o que se passa em sua cabeça, você, sempre com aquele ar de mistério. Sorte daquele que já pode sabê-lo e até pensar contigo. Você sempre com aquele ar de que tem algo mais que me encanta. Você parece pensar muito mais do que demonstra. Ainda descubro o que tem por todos os seus olhares, todos os seus gestos, todas as suas manias. Vive de momentos, jogos, sempre a frente de tudo, com uma forma diferente de enxergar tudo em sua volta. Consegue sempre o que quer, acha oportunidade nas dificuldades e em tudo o que faz possui uma grande quantidade de malícia e calma. É a criatura mais bizarra, mais curiosa, mais misteriosa que eu já conheci. Ainda o decifrarei, nem que eu tenha que esperar a vida inteira para isso. Não tente o entender, é impossível compreendê-lo totalmente. A cada palavra que sai de sua boca mais comentários são ditos, mais são as pessoas a tentar entendê-lo. Decifrá-lo tornou-se meu pior vício e minha melhor rotina. Admirar é diferente de gostar, apenas lembre-se disso.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Pour some sugar on me

Mais uma vez, parada, em frente ao espelho tentando entender o porque não consigo mais enxergar o que era de costume. Onde está aquela ingenuidade? Aquela felicidade espontânea? Aquele suspiro digno de quem ama? Não consigo entender como tudo sumiu. Como posso? Essa não sou eu! O que fazia antes depois de horas pensando é feito por impulso. O que era demonstrado com tanta facilidade não é mais possível ser visto. A felicidade espontânea foi transformada em momentos de altos e baixos, uma típica montanha russa.
- Pode até soar clichê. - pensei comigo mesma - Mas minha vida anda com mais altos e baixos que a própria montanha russa.
Novamente horas, parada, em frente ao espelho, tentando entender o mesmo que tentava há dois dias, mas com uma forma diferente de enxergar as coisas.
- E se eu sempre fui assim? E se toda aquela felicidade espontânea, àquelas horas pensando se devo ou não fazer e a facilidade de demonstrar sentimentos fossem somente uma máscara? - pensei alto.
Um ano depois, lá estava, em frente ao mesmo espelho, pensando mais uma vez, enxergando o que não enxergava antes, olhando de uma forma diferente das outras. Agora  os fatos pareciam mais fáceis de se juntarem, as perguntas já tinham respostas.
- Eu cresci, de fato, a ingenuidade não existe mais, isso se perde com o tempo, todos a perdem. A felicidade continua a mesma, mas, o motivo da felicidade mudou. Suspiro digno de quem ama? Sinceramente. Eu? Amando? Agora? - solto uma risada longa - Isso é impossível, como muitos dizem, sou fria. Eu continuo demonstrando meus sentimentos, mas de formas diferentes e quase imperceptíveis, demonstro em qualquer pequeno gesto, no qual, muitos não percebem. Altos e baixos, todo mundo tem, - disse para mim mesma.
Fui em direção a minha cama e me deitei nela.
- Momentos, apenas momentos. - gritei - Momentos, apenas momentos - repeti, de forma que encheu todo o vazio do quarto escuro e frio.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O jeito que nos falamos


Ela tinha cabelos vermelhos como o sangue, todos a olhavam, ela não era a mais alta ou a mais baixa, e nem se enquadrava nos padrões consideráveis de beleza, mas algo a diferenciava dos outros, ela parecia brilhar, talvez isso fosse a enorme dor que sentia dentro de si, mas isso ninguém via.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Mais uma vez andando sem rumo, fugindo de todos os lugares, de todas as pessoas, de todas as coisas que me podessem trazer possíveis lembranças. Mergulhada em meus pensamentos, perdida em um mar de perguntas, perguntas nas quais eu fazia para mim mesma, todo dia. Estava tão distraída que nem vi o tempo passar, não percebi que já era noite e passava da hora de voltar para casa. Olhei ao meu redor, não tinha a mínima idéia de onde eu poderia estar, minha preocupação com outras coisas era tamanha que nem o caminho de volta para casa era possível lembrar. Olhei para trás, alguém me seguia, por medo, destino ou intuição entrei no quintal de uma casa. Toquei campainha, ninguém atendeu, toquei novamente com a esperança de alguém ir atender, mas fora em vão. Desesperada, cansada, encostei na porta, ela se abriu, resolvi entrar. A casa não estava em perfeitas condições, um pouco bagunçada, mas era o que eu precisava. Entrei vagarosamente, percebi que alguém tomava banho, entrei no primeiro quarto que encontrei. Deduzi ser um adolescente, aparentemente com 17 anos, cabelos espetados, meio bagunçados, muito bonito por sinal. Sentei em sua cama e resolvi esperá-lo. Minutos depois ele entra no quarto, assustado, começamos a nos olhar.
- O que fazes aqui?  – perguntou.
- Longa história – respondi.
- Tenho tempo... – você disse com a maior sinceridade do mundo.
Resolvi então contá-lo tudo, conversamos horas e horas. Resolvemos fazer um jogo, cada um deveria falar cinco características suas.
- Sou ciumenta, chorona, impulsiva, possessiva e exigente. – Declarei.
- Isso não é novidade para mim. – disse como se me conhecesse há anos – É possível perceber em seus olhos.
Depois de várias horas de conversa ele me conhecia mais do que qualquer um já conheceu, talvez, até mais que eu mesma. Ele me convidou para dormir lá e passar o tempo que eu precisasse, aceitei, não havia como recusar, já passava das duas da manhã e eu precisava descansar. Dormimos. Acordei cedo, as 7:30 da manhã para ser mais precisa, ele ainda dormia, o acordei, ele percebeu que eu não estava com um pingo de sono, fomos tomar café. Conversamos durante um bom tempo quando resolvi fazer uma pergunta, na qual estava entalada em minha garganta.
- Porque me aceitou aqui?
- O mesmo motivo no qual te fez entrar aqui. – Respondeu.
Talvez engano, talvez destinou ou mera coincidência, mas alguma coisa estava prestes a se formar, eu já sorria novamente..