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quinta-feira, 10 de março de 2011

Nunca houve nós


Bastavam algumas palavras e estaríamos lá. Juntos. Na sala com paredes em tons azulados, frios. Como sempre costumávamos estar. Dessa vez era diferente, mesmo ambos querendo, nenhum se renderia. Cara a cara. Cada vez mais difícil de resistir. Amávamos-nos e no fundo sabíamos disso, mas preferíamos fingir que não. Era sua última chance. Só mais três minutos, se não fizer nada, vou embora – pensei comigo mesma. Os minutos se passaram e, nada. Nos levantamos juntos. Adeus. Foi o que conseguimos dizer. A partir de agora cada um seguiria o seu caminho. A sala com paredes em tons azulados continuou a mesma. 
Mas ao contrário de minutos atrás, nunca houve nós lá.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Idas e vindas


Afaste. Suma por um tempo. Sem bilhetinho na geladeira ou avisos pela casa. Desligue seu celular e não dê as coordenadas. Fique o máximo que for capaz. Deixe a saudade vir e apertar. E então volte. Aproveite ao máximo. Beije, abrace, faça festa. Nada melhor que a saudade para renovar. 
Aproveite. Cada minuto. Cada segundo. 
Nunca se sabe quando você vai ir e nunca mais voltar.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Meio meu, mas meu mesmo assim


Meio cheio, meio vazio, nem frio nem calor, não gosto e nem desgosto. Meio chato, meio legal, não amo, mas também não odeio. Não sou muito de meios termos, nunca consegui entendê-los, ou ama ou odeia, ou um ou outro, não tem como amar e odiar ao mesmo tempo. É sim ou não. Não há outra opção. Não aguento mais seus meios termos. Você me ama pela metade, gosta mais ou menos de conversar comigo, não me acha legal nem chata. Mas prefiro ser só metade sua a não ser nada. Minha metade.

Sou meio você e meio eu também.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Hora errada





Querido Andrew,
Não me procure mais. Não ouso a me responsabilizar pelos seus atos e seus sentimentos a partir dessa linha, desse momento, dessa palavra. Sei que te devo explicações, mas não sei como te dizer. Eu simplesmente não agüento mais me sentir assim, nunca gostei desse sentimento, com ele fico fraca, sem palavras, sem saber o que realmente fazer. Não consigo suportá-lo mais. Antes de se culpar, saiba que eu sou a única culpada aqui, eu sou o problema, sou o problema desde que deixei você entrar na minha vida, literalmente. Você é como um fantasma dentro de mim. Sempre assombrando meus atos, meus pensamentos, meus sonhos e até meus sentimentos. Foi como eu te avisei desde o começo, simplesmente não consigo suportar. Não me procure, gostaria que não pensasse em mim também, não quero causar seu sofrimento. Não ouse me ligar nem saber por onde tenho andado ou como estou. Para evitar que tente fazer tudo isso irei sumir. Viajar. Pra onde nem eu mesma sei. Poderemos ser amigos, apenas amigos, eu um futuro não tão próximo e não tão distante.
Apenas não me procure agora. Não é hora de saber como estou
A gente se esbarra por aí.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Vida de um escritor.


Expressar sentimentos em um papel, mesmo quando o sentimos, nunca foi uma coisa muito fácil. Imagine para quem escreve livros, textos, blogs. O pior de nós, escritores, é apaixonar por um personagem não-real. Estamos sempre atrás de alguém que se pareça com algo que imaginamos. Várias vezes atribuímos aos nossos personagens, características que idealizamos da pessoa perfeita, ideal. Escritores são pessoas das quais são obrigadas a falar sobre tais sentimentos mesmo não os sentindo, descrevê-los ao ponto de fazer com que os leitores se sintam completamente dentro do texto. Imaginar cada detalhe que fará diferença no desfecho. Explicar minuciosamente cada gesto, cada palavra, cada sentimento. Muitos não entendem que não é só porque escrevemos textos sobre o amor quer dizer que o sintamos. Não é só porque escrevemos uma história, uma situação ou qualquer coisa do tipo, quer dizer que aconteceu ou que queremos que aconteça. Na maioria das vezes nossos textos não são destinados para alguém, nem possuem situações reais, muito menos sentimentos reais. Através da tela, nada é o que parece ser.
Personagens são apenas personagens, em alguns textos existe uma grande barreira entre o fictício e a realidade, pelo menos nos meus.
É uma confusão de sentimentos. Por mais que haja alguma realidade em seus textos, escritores são os menos compreendidos. São contradições demais, até mesmo para explicá-los.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Everything I ask for

Entre pizzas e bebidas algumas tragadas, esperar, eu não sirvo para isso. Cinco caixas de pizza, vazias, estão aqui há dias. Xícaras de café, umas vazias outras com café que esquentaram com tamanho nervosismo. Não tem como evitar, se tornou um vício. Não saio e não estudo, minha vida social acabou, a não ser que amigos na internet pode se considerar vida social. Relações virtuais. “Sem nomes, sem idade, sem sexo e sem passado. É como se cada palavra fosse um gole, um trago, um toque.” Não sei como fui aceitar isso. Cada palavra uma nova experiência. Uma descoberta. Uma emoção. Agonia, choros, ansiedade, nervosismo.  Não é certo, eu sei. Como posso sofrer por algo que não passa de uma tela com frases bonitas e convincentes? Não passa de uma tela. É uma tela. Quem está do outro lado? Você realmente existe? É tudo o que parece ser? Qual é seu sexo? Poderia pelo menos me dizer seu nome? Qual seria sua idade? Você não existe. É só mais outra coisa em minha mente. Você é tudo o que eu queria. Mas não existe. 
Nunca existiu. Nem existirá. Não para mim. Quem é você?