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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Hora errada





Querido Andrew,
Não me procure mais. Não ouso a me responsabilizar pelos seus atos e seus sentimentos a partir dessa linha, desse momento, dessa palavra. Sei que te devo explicações, mas não sei como te dizer. Eu simplesmente não agüento mais me sentir assim, nunca gostei desse sentimento, com ele fico fraca, sem palavras, sem saber o que realmente fazer. Não consigo suportá-lo mais. Antes de se culpar, saiba que eu sou a única culpada aqui, eu sou o problema, sou o problema desde que deixei você entrar na minha vida, literalmente. Você é como um fantasma dentro de mim. Sempre assombrando meus atos, meus pensamentos, meus sonhos e até meus sentimentos. Foi como eu te avisei desde o começo, simplesmente não consigo suportar. Não me procure, gostaria que não pensasse em mim também, não quero causar seu sofrimento. Não ouse me ligar nem saber por onde tenho andado ou como estou. Para evitar que tente fazer tudo isso irei sumir. Viajar. Pra onde nem eu mesma sei. Poderemos ser amigos, apenas amigos, eu um futuro não tão próximo e não tão distante.
Apenas não me procure agora. Não é hora de saber como estou
A gente se esbarra por aí.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Vida de um escritor.


Expressar sentimentos em um papel, mesmo quando o sentimos, nunca foi uma coisa muito fácil. Imagine para quem escreve livros, textos, blogs. O pior de nós, escritores, é apaixonar por um personagem não-real. Estamos sempre atrás de alguém que se pareça com algo que imaginamos. Várias vezes atribuímos aos nossos personagens, características que idealizamos da pessoa perfeita, ideal. Escritores são pessoas das quais são obrigadas a falar sobre tais sentimentos mesmo não os sentindo, descrevê-los ao ponto de fazer com que os leitores se sintam completamente dentro do texto. Imaginar cada detalhe que fará diferença no desfecho. Explicar minuciosamente cada gesto, cada palavra, cada sentimento. Muitos não entendem que não é só porque escrevemos textos sobre o amor quer dizer que o sintamos. Não é só porque escrevemos uma história, uma situação ou qualquer coisa do tipo, quer dizer que aconteceu ou que queremos que aconteça. Na maioria das vezes nossos textos não são destinados para alguém, nem possuem situações reais, muito menos sentimentos reais. Através da tela, nada é o que parece ser.
Personagens são apenas personagens, em alguns textos existe uma grande barreira entre o fictício e a realidade, pelo menos nos meus.
É uma confusão de sentimentos. Por mais que haja alguma realidade em seus textos, escritores são os menos compreendidos. São contradições demais, até mesmo para explicá-los.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Destinados a sofrer

Somos personagens de histórias não escritas por nós. Predestinados a apaixonar pelas pessoas mais improváveis e impossíveis até. Vivendo das mais loucas histórias de amor e então desencantamos, talvez porque não atendia a todas as nossas exigências, talvez porque simplesmente cansamos ou talvez porque o autor de nossa história quis que fosse diferente. E depois? O depois ninguém sabe. Vai pela preferência de cada autor. São páginas e mais páginas em branco que podem ser escritas com muitos detalhes, com adrenalina, aventuras ou não. Às vezes são páginas e páginas para esconder algo que estava no nosso lado, como o amor em nosso melhor amigo, mas o autor decidiu que você vivesse as maiores loucuras de amor, sofresse por cada dia vivido, para no final ficar com quem sempre esteve com você e então ser feliz de verdade.
E tudo isso com o intuito de satisfazer os leitores ou apenas entreter o autor. 

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Confronto comigo mesma.


- Porque você me ignorou? – perguntou.
Você quer realmente saber o porque? É porque tenho medo de você. Tenho medo dos seus olhos, eles são como um abismo, tenho medo de olhar e cair para dentro de você. Tenho medo de tudo que possa acontecer comigo, medo de como me sentirei, não posso me apaixonar mais uma vez por alguém que não dá a mínima para os meus sentimentos, me proibi de fazer isso. Não quero me machucar mais uma vez, não quero criar mais problemas pra você. Por isso fujo dos seus olhos, dos seus sorrisos, de sua voz e de tudo o que eles venham me trazer.
- Não te vi. – respondi.
- Mas não foi a primeira vez – declarou.
- Me desculpe. – pedi.
Me ignore agora, não me desculpe, não, te imploro. Porque fui pedir desculpas? Estava melhor antes, NÃO me desculpe, não agora. Tenho medo de que ao você me desculpar eu me descontrolar, acho melhor te ignorar.
- Desculpo.
Eu queria ouvir tudo, menos isso. Poderia me xingar ou fazer sei-lá-o-que, menos me desculpar. Agora começará tudo de novo, mas não irei suportar, não dessa vez.

domingo, 23 de maio de 2010

Oportunidades para a eternidade.


Te vejo por aí e realmente não sei como reagir. Você seria apenas mais um em minha vida, mas eu queria mais, queria sentir o cheiro do seu perfume, sua respiração sobre mim, sentir o gosto do seu beijo e assim foi. Nos encontramos algumas vezes depois, sempre ao te ver meu coração dispara, minhas mãos congelam,  não, isso de novo não, não agora. Fico tão boba ao te encontrar, e porque não consigo dizer o que sinto? As milhares palavras que conheço se tornam inúteis ao te ver, das complexas as mais simples, todas somem e o máximo que consigo é dizer “oi” e concordar com tudo o que você venha falar. Não que eu realmente concorde com tudo o que diz, mas na hora que te vejo não consigo fazer nada a não ser te olhar e pensar quão sortuda eu seria se sentisse o mesmo por mim. Porque não consigo dizer o que realmente sinto pra você? Será que é tão difícil dizer “eu amo você”? Nunca tive dificuldade de falar isso, mas é assim com você. Me faltam palavras, me faltam pensamentos mas sobram sentimentos. Tenho medo de não te ter, tenho medo de te perder outra vez. Então minha única saída é esconder o que sinto por você, aguentar ao máximo sem falar. E se num simples descuido eu declarar meu amor por você? E se esse sentimento não for recíproco? Não quero te perder, não dessa vez. Deixa como está, vamos ver no que vai dar. Eu amo você! 

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Everything I ask for

Entre pizzas e bebidas algumas tragadas, esperar, eu não sirvo para isso. Cinco caixas de pizza, vazias, estão aqui há dias. Xícaras de café, umas vazias outras com café que esquentaram com tamanho nervosismo. Não tem como evitar, se tornou um vício. Não saio e não estudo, minha vida social acabou, a não ser que amigos na internet pode se considerar vida social. Relações virtuais. “Sem nomes, sem idade, sem sexo e sem passado. É como se cada palavra fosse um gole, um trago, um toque.” Não sei como fui aceitar isso. Cada palavra uma nova experiência. Uma descoberta. Uma emoção. Agonia, choros, ansiedade, nervosismo.  Não é certo, eu sei. Como posso sofrer por algo que não passa de uma tela com frases bonitas e convincentes? Não passa de uma tela. É uma tela. Quem está do outro lado? Você realmente existe? É tudo o que parece ser? Qual é seu sexo? Poderia pelo menos me dizer seu nome? Qual seria sua idade? Você não existe. É só mais outra coisa em minha mente. Você é tudo o que eu queria. Mas não existe. 
Nunca existiu. Nem existirá. Não para mim. Quem é você? 

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Come and go

Andando, rua vazia, encontrei um local no qual havia um grande tumulto, havia até uma fila para ver o porque de tanto alvoroço. Logo pensei que poderia ser alguma briga ou qualquer coisa do tipo. Tentei de todas as formas espiar o que era, mas qualquer esforço fora em vão. Decidi entrar na fila, afinal, eu não tinha nada mesmo para fazer. Como eu não estava muito bem aproveitei o tempo de espera para pensar um pouco. Perdida em meus pensamentos, mal vi o tempo passar e muito menos que a fila já diminuíra significativamente.  Logo, eu era a única da fila. Vi em minha frente um garoto, olhos azuis e um pouco cansados, cabelo bagunçado, bem bonito por sinal, segurando uma placa de “free hugs”.
-Quero um amigo – pedi.
-Eu só distribuo abraços...
Fiquei um pouco desapontada, mas afinal, ele estava lá só para isso mesmo.
-Desculpa – falei.
Ele percebeu que eu não estava muito bem, se aproximou e me deu um abraço bem apertado, bem demorado, um dos melhores abraços que eu já recebi.
-Esse foi o primeiro abraço sincero que eu recebi hoje – comentou fazendo pausas.
-Pois é, esse foi o meu primeiro abraço de hoje.
Começou uma grande amizade.