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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

E o tempo


Às vezes me pergunto que ser tão poderoso é esse tal de tempo. Sempre ouço por aí que ele é capaz de mudar tudo, que o tempo resolverá isso e aquilo. Tornou-se a resposta para todos os problemas. Tá indo mal na escola? Com o tempo você melhora.  Tá sofrendo? Com o tempo tudo passa. Tá arrependido? Com o tempo tudo muda. Ainda ama ele? Com o tempo você esquece. Não sabe o que fazer? O tempo dirá. Parece que quando as coisas já não têm mais jeito, explicação e nem mais o que dizer o tempo vira a saída para tudo. 
Mas pra mim o tempo só muda a ordem das coisas e a nossa forma de pensar. 


Não é ele que vai consertar o que foi feito, quem consegue fazer isso é você.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Declínio fatal escravizado e perdido.

Não ouso descrever as magnificências de tal sentimento, qualquer um que fosse não poderia transmitir a emoção da grandeza, do deslumbramento, da felicidade, os êxtases, as melodias, os arrojo de luz e cores, uma coisa indefinível e incompreensível. Nem o melhor poeta que seja não conseguiria descrevê-lo, nem estrofes que por mais sinceras sejam o descreveriam, até as músicas mais melódicas não são capazes de fazê-lo. Borboletas no estômago, andar nas nuvens, aquele pseudo friozinho na barriga, calor no coração, sorriso incontrolável, vagalume nos olhos, asas de beija flor na imaginação ou como definas. Estou falando de amor. A razão das noites mal dormidas e até mesmo sem dormir, são devaneios inevitáveis e incontroláveis até mesmo impossíveis. Quando o botão de 'foda-se tudo' é ativado mais uma vez. Insultos são ignorados, as pessoas, por mais chatas que sejam se tornam legais nessas horas. Não existe algo que interrompa tamanha imensidão, a não ser ele mesmo, nos quebra no meio quando preciso. 
É inesgotável, infinito, inconfundível, incontrolável, inexplicável e eterno – nem sempre. Apenas amor.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sem avisar.


Eu sentia o vento alisar meu rosto. Não era um vento qualquer. Era o mesmo vento que tocava o seu rosto. O vento que tocava seu rosto depois vinha ao meu encontro para dançar. Era o seu vento, o que te conhecia plenamente, mais que qualquer um já conheceu e agora ele estava de encontro ao meu, numa dança inefável de paixão. Era tudo tão novo, mais bonito que o pôr-do-sol, brilhava mais que as estrelas já ousaram brilhar. Cada dia uma dança diferente. Não tinha hora de certa ou lugar para estar. O vento simplesmente aparecia, sem avisar.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Maybe, I should help you

Olhe pra mim. Enxugue suas lágrimas. Não chore mais. Não se desespere. Você não está sozinha. Nunca esteve. Nunca estará. Eu sempre estive aqui do seu lado. Agora vai, tome um banho, esqueça tudo o que passou. Têm roupas suas lá no armário. Uma toalha? Aqui está. Precisa de mais algo? Eu estou aqui, não precisa chorar. Olha pra mim, só mais alguns segundinhos, por favor. Quero ver teus olhos novamente. Não precisa chorar mais. Eu estou aqui, do seu lado. Nunca mais estará sozinha. Pare de chorar. Você não é o que pensa. Não, não diga isso, nem sequer pense. Sente-se. Pode ser aí no sofá mesmo. Aceita um café? Ou prefere um chá? Uma coca, talvez? Se quiser, tenho cigarros também. Frio? Vamos para mais perto da lareira. Estou aqui se precisar de colo, de abraço, ou qualquer outra coisa. Por favor, se acalme. Olhe pra mim mais uma vez. Vem cá. Não precisa chorar. Eu te amo.

domingo, 8 de agosto de 2010

Só queria dizer

Odeio seu cabelo bagunçado, meio jogado para o lado com ar de mistério. Odeio seu andar cambaleado, sem rumo, na procura do que é incógnito e incorreto. Odeio a forma em que me trata, fala sempre com calma até quando insisto em te irritar. Odeio suas roupas meio largadas, monocromáticas, nas quais ousa se esconder. Odeio a forma torta em que segura o seu cigarro, odeio sua voz rouca por causa do mesmo. Odeio te amar. Odeio quando me faz admitir que estou errada, quando me diz que não está certo, quando advinha o que eu quero. Odeio admitir que não consigo dizer não para você.




Mas eu só queria dizer é que eu odeio o fato de você não existir.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Relógio de chances.

Meu relógio está ao inverso, no sentido anti-horário. As horas não passam, elas voltam. Os dias não terminam, eles começam. Ouço as palavras ao contrário, escrevo de trás pra frente, ando de cabeça para baixo. O norte é o sul e o sul eu não sei onde é. Eu amo quem deveria odiar e quem eu deveria amar, eu odeio. Ando meio perdida, deveria procurar a saída ou um lugar para entrar? Eu quero o que eu não quero e não quero o que eu quero. Não, não tente me entender, nem eu mesma me entendo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Destinados a sofrer

Somos personagens de histórias não escritas por nós. Predestinados a apaixonar pelas pessoas mais improváveis e impossíveis até. Vivendo das mais loucas histórias de amor e então desencantamos, talvez porque não atendia a todas as nossas exigências, talvez porque simplesmente cansamos ou talvez porque o autor de nossa história quis que fosse diferente. E depois? O depois ninguém sabe. Vai pela preferência de cada autor. São páginas e mais páginas em branco que podem ser escritas com muitos detalhes, com adrenalina, aventuras ou não. Às vezes são páginas e páginas para esconder algo que estava no nosso lado, como o amor em nosso melhor amigo, mas o autor decidiu que você vivesse as maiores loucuras de amor, sofresse por cada dia vivido, para no final ficar com quem sempre esteve com você e então ser feliz de verdade.
E tudo isso com o intuito de satisfazer os leitores ou apenas entreter o autor. 

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Confronto comigo mesma.


- Porque você me ignorou? – perguntou.
Você quer realmente saber o porque? É porque tenho medo de você. Tenho medo dos seus olhos, eles são como um abismo, tenho medo de olhar e cair para dentro de você. Tenho medo de tudo que possa acontecer comigo, medo de como me sentirei, não posso me apaixonar mais uma vez por alguém que não dá a mínima para os meus sentimentos, me proibi de fazer isso. Não quero me machucar mais uma vez, não quero criar mais problemas pra você. Por isso fujo dos seus olhos, dos seus sorrisos, de sua voz e de tudo o que eles venham me trazer.
- Não te vi. – respondi.
- Mas não foi a primeira vez – declarou.
- Me desculpe. – pedi.
Me ignore agora, não me desculpe, não, te imploro. Porque fui pedir desculpas? Estava melhor antes, NÃO me desculpe, não agora. Tenho medo de que ao você me desculpar eu me descontrolar, acho melhor te ignorar.
- Desculpo.
Eu queria ouvir tudo, menos isso. Poderia me xingar ou fazer sei-lá-o-que, menos me desculpar. Agora começará tudo de novo, mas não irei suportar, não dessa vez.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Welcome to mystery (...)


Com você, um simples piscar de olhos ou o estalar dos dedos pode significar muito e pouco ao mesmo tempo. Sempre achei que você seria apenas “mais um conhecido” daqueles que em três dias nem o rosto é lembrado e quem dirá o nome. Gostaria eu saber o que se passa em sua cabeça, você, sempre com aquele ar de mistério. Sorte daquele que já pode sabê-lo e até pensar contigo. Você sempre com aquele ar de que tem algo mais que me encanta. Você parece pensar muito mais do que demonstra. Ainda descubro o que tem por todos os seus olhares, todos os seus gestos, todas as suas manias. Vive de momentos, jogos, sempre a frente de tudo, com uma forma diferente de enxergar tudo em sua volta. Consegue sempre o que quer, acha oportunidade nas dificuldades e em tudo o que faz possui uma grande quantidade de malícia e calma. É a criatura mais bizarra, mais curiosa, mais misteriosa que eu já conheci. Ainda o decifrarei, nem que eu tenha que esperar a vida inteira para isso. Não tente o entender, é impossível compreendê-lo totalmente. A cada palavra que sai de sua boca mais comentários são ditos, mais são as pessoas a tentar entendê-lo. Decifrá-lo tornou-se meu pior vício e minha melhor rotina. Admirar é diferente de gostar, apenas lembre-se disso.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O jeito que nos falamos


Ela tinha cabelos vermelhos como o sangue, todos a olhavam, ela não era a mais alta ou a mais baixa, e nem se enquadrava nos padrões consideráveis de beleza, mas algo a diferenciava dos outros, ela parecia brilhar, talvez isso fosse a enorme dor que sentia dentro de si, mas isso ninguém via.
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Mais uma vez andando sem rumo, fugindo de todos os lugares, de todas as pessoas, de todas as coisas que me podessem trazer possíveis lembranças. Mergulhada em meus pensamentos, perdida em um mar de perguntas, perguntas nas quais eu fazia para mim mesma, todo dia. Estava tão distraída que nem vi o tempo passar, não percebi que já era noite e passava da hora de voltar para casa. Olhei ao meu redor, não tinha a mínima idéia de onde eu poderia estar, minha preocupação com outras coisas era tamanha que nem o caminho de volta para casa era possível lembrar. Olhei para trás, alguém me seguia, por medo, destino ou intuição entrei no quintal de uma casa. Toquei campainha, ninguém atendeu, toquei novamente com a esperança de alguém ir atender, mas fora em vão. Desesperada, cansada, encostei na porta, ela se abriu, resolvi entrar. A casa não estava em perfeitas condições, um pouco bagunçada, mas era o que eu precisava. Entrei vagarosamente, percebi que alguém tomava banho, entrei no primeiro quarto que encontrei. Deduzi ser um adolescente, aparentemente com 17 anos, cabelos espetados, meio bagunçados, muito bonito por sinal. Sentei em sua cama e resolvi esperá-lo. Minutos depois ele entra no quarto, assustado, começamos a nos olhar.
- O que fazes aqui?  – perguntou.
- Longa história – respondi.
- Tenho tempo... – você disse com a maior sinceridade do mundo.
Resolvi então contá-lo tudo, conversamos horas e horas. Resolvemos fazer um jogo, cada um deveria falar cinco características suas.
- Sou ciumenta, chorona, impulsiva, possessiva e exigente. – Declarei.
- Isso não é novidade para mim. – disse como se me conhecesse há anos – É possível perceber em seus olhos.
Depois de várias horas de conversa ele me conhecia mais do que qualquer um já conheceu, talvez, até mais que eu mesma. Ele me convidou para dormir lá e passar o tempo que eu precisasse, aceitei, não havia como recusar, já passava das duas da manhã e eu precisava descansar. Dormimos. Acordei cedo, as 7:30 da manhã para ser mais precisa, ele ainda dormia, o acordei, ele percebeu que eu não estava com um pingo de sono, fomos tomar café. Conversamos durante um bom tempo quando resolvi fazer uma pergunta, na qual estava entalada em minha garganta.
- Porque me aceitou aqui?
- O mesmo motivo no qual te fez entrar aqui. – Respondeu.
Talvez engano, talvez destinou ou mera coincidência, mas alguma coisa estava prestes a se formar, eu já sorria novamente..